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terça-feira, 17 de maio de 2011

Espelhos - Uma história quase universal

Esta é mais uma obra-prima do escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor do consagrado livro "As Veias Aberta da américa latina", que realmente vale a pena ler. 


Galeano conta a História universal dos esquecidos


Jaime Cimenti


Existe a grande História, quase sempre oficial e quase sempre contada pelos vitoriosos. Existe a pequena História, que conta as coisas ditas pequenas dos "grandes" personagens da História. Sim, tem também a História narrada pelos historiadores revisionistas e pelos que querem contar o que houve a partir de outras visões, documentos etc.


Em Espelhos - uma história quase universal, o jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor do clássico As veias abertas da América Latina, não dando a mínima para as fronteiras que tentam separar os gêneros literários, apresenta pequenos textos que buscam registrar os esquecidos, os ignorados, os anônimos e os fatos que poderiam ficar injustamente enterrados.


Os desvalidos e os excluídos das histórias oficiais estão na obra de Galeano, que, em 360 páginas e quase 600 histórias, proporciona aos leitores uma viagem infinita através de todos os tempos, mapas e mundos.


Limites e fronteiras foram para o espaço nesta história universal que se inicia na velha África, onde a aventura humana começou, e termina nos albores de nosso século XXI, que, pelo visto, é tão violento e injusto quanto o finado século XX.


Galeano mescla passado, presente, futuro, poesia, ficção, histórias e a História de sociedades diversas e nos mostra as ligações entre tudo.


Relatos que vão da Grécia antiga a Roma, do Egito à Mesopotâmia, da Idade Média à Segunda Guerra Mundial e sobre os mortos do Iraque mostram, com olhar questionador, como os seres humanos têm explorado uns aos outros. Além disso, revelam as histórias ocultas das minorias. Galeano mostra o que os humanos criaram e mataram, mostra os silêncios e os gritos do planeta e reflete que as pessoas sacrificaram e mutilaram o arco-íris terrestre. Poético, irônico, desafiador, mas sempre criativo e instigante, o escritor uruguaio nos oferece espelhos cheios de gente, de esquecidos que se lembram de nós.


São os invisíveis que nos vêem. Para Galeano, os mundos que o mundo esconde, os pensadores e os sentidores, os curiosos condenados a perguntar sempre, os rebeldes, os perdedores e os loucos têm sido e são o sal da terra.


Enfim, a escrita sensível e original de Eduardo Galeano abre janelas e possibilidades para que os leitores tentem responder às grandes questões de sempre: de onde viemos, quem somos e para onde vamos? Não é pouca coisa.


Espelhos - uma história quase universal foi lançado em março deste ano e já é grande sucesso internacional. Está em quinta edição na Espanha e ocupa, na Argentina, há meses, o ranking de livros mais vendidos do jornal La Nación.


A tradução competente é de Eric Nepomuceno. 376 páginas, R$ 42,00, L&PM Editores, telefone 3225-5777.

sábado, 2 de abril de 2011

AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA


Obra fundamental para conhecer a América Latina


Para quem perguntar por onde se pode começar a estudar a América Latina, a resposta é "leia As Veias Abertas..." de Eduardo Galeano.
A primeira década do século XXI trouxe para os holofotes a mudança de prioridades no governo da Bolívia, que nacionalizou os hidrocarbonetos. As mudanças do governo de Evo Morales, o primeiro indígena eleito para a presidência do país, tiveram paralelo, em menor grau, no Equador, com Rafael Correa, na Venezuela, com Hugo Chávez e com a eleição de Fernando Lugo, do Paraguai.
Ao contrário do que a indústria jornalística afirma, esses governos não podem ser estudados sob a luz do populismo, mas devem ser entendidos a partir da leitura de As Veias Abertas da América Latina.
Nesta obra essencial é possível entender um processo comum em todos os países latino-americanos: apesar de a origem do colonizador ser espanhola, portuguesa, holandesa, francesa ou inglesa, de haver maior ou menor presença indígena ou negra na população, é que em todas as nações se edificaram sociedades constituídas para servir de alimento, em primeiro lugar, para a acumulação mercantil, depois para as fornalhas da Revolução Industrial Inglesa e agora para o imperialismo (ou neocolonialismo) norte-americano.
Os mais de quinhentos anos de história oficial da América Latina, desde que La Hispañola foi pisada pelas botas de Colombo e Vespúcio, reproduzem o incessante estupro das entranhas ricas, desde a exploração de recursos naturais e minerais (pau-brasil, ouro, prata, estanho) até o consumo das vidas, dos corações e das mentes dos trabalhadores. Nesse cruel e sangrento processo de exploração, levado a cabo com prodígio desde a etapa do saque das riquezas até as variadas formas de apropriação da produção mercantil, formou-se classes dominantes nativas da pior espécie: dominantes para dentro, dominadas para fora.
Eduardo Galeano descreveu desta forma, histórico processo de subalternização da classe dominante latino-americana:
“Para os que concebem a História como uma disputa, o atraso e a miséria da América Latina são o resultado de seu fracasso. Perdemos, outros ganharam. Mas acontece que aqueles que ganharam, ganharam graças ao que nós perdemos: a história do subdesenvolvimento da América Latina integra, como já se disse, a história do desenvolvimento do capitalismo mundial. Nossa derrota esteve sempre implícita na vitória alheia, nossa riqueza gerou sempre a nossa pobreza para alimentar a prosperidade dos outros: os impérios e seus agentes nativos. Na alquimia colonial e neo-colonial, o ouro se transformou em sucata e os alimentos se convertem em veneno. Potosí, Zacatecas e Ouro Preto caíram de ponta do cimo dos esplendores dos metais preciosos no fundo buraco dos filões vazios, e a ruína foi o destino do pampa chileno do salitre e da selva amazônica da borracha; o nordeste açucareiro do Brasil, as matas argentinas de quebrachos ou alguns povoados petrolíferos de Maracaibo têm dolorosas razões para crer na mortalidade das fortunas que a natureza outorga e o imperialismo usurpa. A chuva que irriga os centros do poder imperialista afoga os vastos subúrbios do sistema. Do mesmo modo, e simetricamente, o bem-estar de nossas classes dominantes – dominantes para dentro, dominados para fora – é a maldição de nossas multidões, condenadas a uma vida de bestas de carga”.
GALEANO, Eduardo. As Veias Abertas da América Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982. p 14.
A partir da leitura de As Veias Abertas, acontecimentos como o Massacre de Iquiqueganham expressão mais dolorosa e até a compreensão de obras como "Cem Anos de Solidão" se torna diferente.
E nem mesmo a mundialização das economias no século XXI, com os fóruns e reuniões de cúpula comerciais, tiram a atualidade da obra de Galeano. Se hoje os governos progressistas da América Latina tentam estabelecer relações sul-sul é porque a realidade de exploração mostrada por Galeano ainda necessita de ações para ser remediada.

quinta-feira, 31 de março de 2011

OS ÍNDIOS ERAM CEGOS?

– Quando eu tinha 9 anos, estava na escola e a professora nos explicou que o primeiro homem que tinha visto dois mares foi um conquistador espanhol. Daí eu levantei a mão e perguntei, “os índios eram cegos?” Foi quando tive a primeira expulsão, por ter essa mania de ser um averiguador da vida e formular perguntas incômodas.


Fragmento de entrevista de Eduardo Galeano ao Jornal da PUC - Edição 211

segunda-feira, 28 de março de 2011

O DIREITO AO DELÍRIO Por Eduardo Galeano


Que tal começarmos a exercer o direito de sonhar?
Que tal se delirarmos um pouquinho?

No próximo milênio, o ar estará limpo de todo veneno
O televisor deixará de ser
o membro mais importante da família
As pessoas trabalharão para viver,
em vez de viver para trabalhar.

Os economistas não chamarão
nível de vida o nível de consumo,
nem chamarão qualidade de vida
a quantidade de coisas.

Ninguém será considerado herói
ou tolo só porque faz aquilo que
acredita ser justo, em vez de fazer
aquilo que mais lhe convém.

A comida não será uma mercadoria,
nem a comunicação um
negócio, porque comida e comunicação
são direitos humanos.

A educação não será um privilégio
apenas de quem possa pagá-la.
A polícia não será a maldição daqueles
que não podem comprá-la.

A justiça e a liberdade, irmãs
siamesas condenadas a viverem separadas,
voltarão a juntar-se, bem unidas
ombro com ombro.

E os desertos do mundo e os desertos
da alma serão reflorestados.

EDUARDO GALEANO (tradução livre de Rodrigo Espinosa Cabral)

O PARADOXO ANDANTE

Por Eduardo Galeano

Cada dia, ao ler os jornais, assisto a uma aula de história.
Os diários ensinam-me pelo que dizem e pelo que silenciam.
A história é um paradoxo andante. A contradição lhe move as pernas. Talvez por isso os seus silêncios digam mais que suas palavras e muitas vezes as suas palavras revelam, mentindo, a verdade.
Dentro em breve será publicado um livro meu chamado Espejos. É algo assim como uma história universal, e desculpem o atrevimento. "Posso resistir a tudo, menos à tentação", dizia Oscar Wilde, e confesso que sucumbi à tentação de contar alguns episódios da aventura humana no mundo do ponto de vista dos que não saíram na foto.
Pode-se dizer que não se trata de fatos muito conhecidos.
Aqui resumo alguns, apenas uns poucos.
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Quando foram desalojados do Paraíso, Adão e Eva mudaram-se para África, não para Paris.
Algum tempo depois, quando seus filhos já se haviam lançado pelos caminhos do mundo, foi inventada a escrita. No Iraque, não no Texas.
Também a álgebra foi inventada no Iraque. Foi fundada por Mohamed al Jwarizmi, há mil e duzentos anos, e as palavras algoritmo e algarismo derivam do seu nome.
Os nomes costumam não coincidir com o que nomeiam. No British Museum, por exemplo, as esculturas do Partenon chamam-se "mármores de Elgin", mas são mármores de Fídias. Elgin era o nome do inglês que as vendeu ao museu.
As três novidades que tornaram possível o Renascimento europeu, a bússola, a pólvora e a imprensa, haviam sido inventadas pelos chineses, que também inventaram quase tudo o que a Europa reinventou.
Os hindús souberam antes de todos que a Terra era redonda e os maias haviam criado o calendário mais exato de todos os tempos.
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Em 1493, o Vaticano presenteou a América à Espanha e obsequiou a África negra a Portugal, "para que as nações bárbaras sejam reduzidas à fé católica". Naquele tempo a América tinha quinze vezes mais habitantes que a Espanha e a África negra cem vezes mais que Portugal.
Tal como havia mandado o Papa, as nações bárbaras foram reduzidas. E muito.
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Tenochtitlán, o centro do império asteca, era de água. Hernán Cortés demoliu a cidade pedra por pedra e, com os escombros, tapou os canais por onde navegavam duzentas mil canoas. Esta foi a primeira guerra da água na América. AgoraTenochtitlán chama-se México DF. Por onde corria a água, agora correm os automóveis.
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O monumento mais alto da Argentina foi erguido em homenagem ao general Roca, que no século XIX exterminou os índios da Patagônia.
A avenida mais longa do Uruguai tem o nome do general Rivera, que no século XIX exterminou os últimos índios charruas.
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John Locke, o filósofo da liberdade, era acionista da Royal Africa Company , que comprava e vendia escravos.
No momento em que nascia o século XVIII, o primeiro dos bourbons, Felipe V, estreou o seu trono assinando um contrato com o seu primo, o rei da França, para que a Compagnie de Guinée vendesse negros na América. Cada monarca ficava com 25 por cento dos lucros.
Nomes de alguns navios negreiros: Voltaire, Rousseau, Jesus, Esperança, Igualdade, Amizade.
Dois dos Pais Fundadores dos Estados Unidos desvaneceram-se na névoa da história oficial. Ninguém se recorda de Robert Carter nem de Gouverner Morris. A amnésia recompensou os seus atos. Carter foi a única personalidade eminente da independência que libertou seus escravos. Morris, redator da Constituição, opôs-se à cláusula estabelecendo que um escravo equivalia às três quintas partes de uma pessoa.
"O nascimento de uma nação" , a primeira super-produção de Hollywood, foi estreado em 1915, na Casa Branca. O presidente, Woodrow Wilson, a aplaudiu de pé. Ele era o autor dos textos do filme, um hino racista de louvação à Ku Klux Klan.
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Algumas datas:
Desde o ano 1234, e durante os sete séculos seguintes, a Igreja Católica proibiu que as mulheres cantassem nos templos. As suas vozes eram impuras, devido àquele caso da Eva e do pecado original.
No ano de 1783, o rei da Espanha decretou que não eram desonrosos os trabalhos manuais, os chamados "ofícios vis", que até então implicavam a perda da fidalguia.
Até o ano de 1986 foi legal o castigo das crianças, nas escolas da Inglaterra, com correias, varas e porretes.
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Em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade, em 1793 a Revolução Francesa proclamou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. A militante revolucionária Olympia de Gouges propôs então a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. A guilhotina cortou-lhe a cabeça.
Meio século depois, outro governo revolucionário, durante a Primeira Comuna de Paris, proclamou o sufrágio universal. Ao mesmo tempo, negou o direito de voto às mulheres, por unanimidade menos um: 899 votos contra, um a favor.
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A imperatriz cristã Teodora nunca disse ser uma revolucionária, nem nada que se parecesse. Mas há mil e quinhentos anos o império bizantino foi, graças a ela, o primeiro lugar do mundo onde o aborto e o divórcio foram direitos das mulheres.
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O general Ulisses Grant, vencedor da guerra do Norte industrial contra o Sul escravocrata, foi a seguir presidente dos Estados Unidos.
Em 1875, respondendo às pressões britânicas, respondeu:
–Dentro de duzentos anos, quando tivermos obtido do protecionismo tudo o que ele nos pode proporcionar, também nós adotaremos a liberdade de comércio.
Assim sendo, em 2075, o país mais protecionista do mundo adotará a liberdade de comércio.
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"Botinzito" foi o primeiro cão pequinês que chegou à Europa.
Viajou para Londres em 1860. Os ingleses o batizaram assim porque era parte do botim extorquido à China no fim das longas guerras do ópio.
Vitória, a rainha narcotraficante, havia imposto o ópio a tiros de canhão. A China foi convertida num país de drogados, em nome da liberdade, a liberdade de comércio.
Em nome da liberdade, a liberdade de comércio, o Paraguai foi aniquilado em 1870. Ao final de uma guerra de cinco anos, este país, o único das Américas que não devia um centavo a ninguém, inaugurou a sua dívida externa. Às suas ruínas fumegantes chegou, vindo de Londres, o primeiro empréstimo. Foi destinado a pagar uma enorme indenização ao Brasil, Argentina e Uruguai. O país assassinado pagou aos países assassinos, pelo trabalho que haviam tido ao assassiná-lo.
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O Haiti também pagou uma enorme indenização. Desde que em 1804 conquistou a sua independência, a nova nação arrasada teve que pagar à França uma fortuna, durante um século e meio, para espiar o pecado da sua liberdade.
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As grandes empresas têm direitos humanos nos Estados Unidos. Em 1886, a Suprema Corte de Justiça estendeu os direitos humanos às corporações privadas, e assim segue sendo.
Poucos anos depois, em defesa dos direitos humanos das suas empresas, os Estados Unidos invadiram dez países, em diversos mares do mundo.
Então Mark Twain, dirigente da Liga Anti-imperialista, propôs então uma nova bandeira, com caveirinhas em lugar de estrelas. E outro escritor, Ambroce Bierce, confirmou:
–A guerra é o caminho escolhido por Deus para nos ensinar geografia.
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Os campos de concentração nasceram na África. Os ingleses iniciaram o experimento, e os alemães o desenvolveram. Depois disso Hermann Göring aplicou na Alemanha o modelo que o seu papa havia ensaiado, em 1904, na Namíbia. Os mestres de Joseph Mengele haviam estudado, no campo de concentração da Namíbia, a anatomia das raças inferiores. As cobaias eram todas negras.
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Em 1936, o Comitê Olímpico Internacional não tolerava insolências. Nas Olimpíadas de 1936, organizadas por Hitler, a seleção de futebol do Peru derrotou por 4 a 2 a seleção da Áustria, o país natal do Führer. O Comitê Olímpico anulou a partida.
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A Hitler não faltaram amigos. A Rockefeller Foundation financiou investigações raciais e racistas da medicina nazi. A Coca-Cola inventou a Fanta, em plena guerra, para o mercado alemão. A IBM tornou possível a identificação e classificação dos judeus, e essa foi a primeira façanha em grande escala do sistema de cartões perfurados.
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Em 1953, explodiu o protesto operário na Alemanha comunista.
Trabalhadores tomaram as ruas e os tanques soviéticos trataram de calar-lhe a boca. Bertolt Brecht, em seguida, sugeriu: Não seria mais fácil para o governo dissolver o povo e eleger outro?
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Operações de Marketing. A opinião pública é o alvo. As guerras se vendem mentindo, tal como se vendem os carros.
Em 1964, os Estados Unidos invadiram o Vietnam, porque o Vietnam havia atacado dois navios dos Estados Unidos no Golfo de Tonkin. Quando a guerra já havia trucidado uma multidão de vietnamitas, o ministro da Defesa, Robert McNamara, reconheceu que o ataque de Tonkin não existiu.
Quarenta anos depois, a história se repetiu no Iraque.
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Milhares de anos antes da invasão norteamericana levar a civilização ao Iraque, nesta terra bárbara nasceu o primeiro poema de amor na história mundial. Na língua suméria, escrito no barro, o poema narrou o encontro de uma deusa e um pastor. Inanna, a deusa, amou nesta noite como se fosse mortal. Dumuzi, o pastor, foi imortal enquanto durou essa noite.
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Paradoxos andantes, paradoxos estimulantes:
O Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais belas esculturas da era colonial americana.
O livro de viagens Marco Pólo, aventura da liberdade, foi escrito na prisão em Gênova.
Don Quixote de La Mancha, uma outra aventura da liberdade, nasceu na prisão de Sevilha.
Foram netos de escravos, os negros que criaram o jazz, a mais livre das músicas.
Um dos melhores guitarristas de jazz, o cigano Django Reinhardt, não tinha mais que dois dedos em sua mão esquerda.
Não tinha mãos Grimod de Reynière, o grande mestre da cozinha francesa. Com garfos escrevia, cozinhava e comia.